Dra. Amanda Wiviane Pereira / Diretora Técnica – CRM SC 23056
Para sua realização são necessários os seguintes equipamentos: um aparelho chamado oftalmoscópio indireto binocular e uma lente convergente de grande aumento. O médico posiciona essa lente especial entre o olho a ser avaliado e o aparelho e, em seguida, incide uma luz sobre a mesma.
A pupila (que já deve estar previamente dilatada) vai receber a claridade, permitindo ao oftalmologista investigar todo o sistema interno ocular. São muito raras as restrições à prática, ou seja, a investigação é possível de ser feita em grande parte dos pacientes, pois a forte luz projetada possibilita a avaliação das estruturas até em olhos com algum grau de opacidade — condição que geralmente ocorre em casos como os de catarata ou doenças da córnea.
O fundo do olho é a única área do corpo humano em que é possível fazer uma observação direta dos vasos sanguíneos. Como o exame é capaz de alcançar essa região, ele permite diagnosticar e acompanhar o desenvolvimento de diversas doenças no corpo, tais como: diabetes, hipertensão, problemas neurológicos, reumáticos e hematológicos.
Em outras palavras, o diagnóstico é abrangente e não se restringe à descoberta de doenças oculares, embora também seja apropriado para casos mais específicos. A retina e o nervo óptico são estruturas que podem sofrer um maior número de transtornos — desde má formações, inflamações, glaucoma, deslocamentos, até tumores — e o exame costuma se mostrar bastante eficaz na identificação de todos esses tipos de problema.
Esse é um dos procedimentos mais importantes para detecção de alguns tipos de cânceres oculares que são assintomáticos de início ou que não apresentam sinais externos de fácil percepção.
Uma das primeiras recomendações é a de que o paciente venha sempre acompanhado quando for realizar o procedimento. Isso porque é necessário dilatar previamente a pupila com um colírio, o que impede a pessoa examinada de dirigir ou caminhar sozinha logo em seguida — dado que a visão pode sofrer alterações, geralmente ficando embaçada, por um período de quatro a seis horas.
Apesar da dilatação, o mapeamento de retina é bem simples. Não exige jejum prévio, dura só alguns minutos e o resultado sai imediatamente.
O fato de ser um exame descomplicado não quer dizer que ele não seja importante. Ao contrário, existe uma recomendação para que todos os pacientes que passem por uma consulta o realizem, pois muitos distúrbios podem ser descobertos dessa forma (sobretudo naqueles casos em que o indivíduo não apresenta sintomas).
No entanto, há situações em que a realização do mapeamento de retina é fundamental, dentre os quais podemos citar: pacientes com diabetes, hipertensão arterial, glaucoma, suspeita de retinopatias, alterações na retina e no nervo óptico, ocorrência de diminuição da visão e doenças sistêmicas.
É indicado também para o acompanhamento da evolução da doença após o seu diagnóstico. Importa frisar que toda pessoa que se submeter a um procedimento cirúrgico no olho deve igualmente efetuar o mapeamento antes da cirurgia.
Além do mais, necessita fazer o exame quem relatar qualquer piora da qualidade da visão, sem apresentar uma justificativa clara para tal — principalmente após os 50 anos de idade —, assim como quem faz uso de medicamentos que podem causar efeitos colaterais na retina, portadores de doenças reumatológicas, hipertensos e diabéticos.
Do mesmo modo, aconselha-se o mapeamento de retina para bebês prematuros (com idade inferior a 32 semanas ou peso inferior a 1.500g), pois há riscos de terem sido afetados por uma doença chamada retinopatia da prematuridade — que pode provocar sérios danos ao desenvolvimento ocular da criança e, inclusive, levar à cegueira.
Por fim, quem tem problema de miopia também deve realizar o procedimento devido à maior fragilidade da retina periférica e vulnerabilidade para o surgimento de descolamento de retina — tornando, assim, necessário avaliá-la de maneira minuciosa, com cautela e regularmente.
A frequência com que o exame deve ser renovado depende da faixa etária do paciente, mas sobretudo, de seu histórico de saúde (ocular e geral). Somente o oftalmologista é quem pode estipular de forma mais precisa a periodicidade necessária para o seu caso, além de definir quando ele deve ser feito pela primeira vez.
Não se esqueça: a prevenção é o melhor remédio. Efetuar consultas com regularidade e realizar os exames indicados é importante não só para prevenir, mas para diagnosticar precocemente distúrbios que podem afetar a sua visão, facilitando assim o seu tratamento. Se você deseja uma boa qualidade de vida, esteja sempre em dia com a saúde dos seus olhos!